sábado, 25 de novembro de 2017

Alguns conceitos do livro Antifrágil

Não se trata de um livro resumindo conhecimentos adquiridos pela ciência ao longo dos anos, como vários outros de divulgação científica, mas sim um texto opinativo apresentando uma teoria própria, que muitas vezes vai contra conceitos considerados mainstream. Talvez o autor queira correr o risco de errar em algumas ideias para ter grandes acertos em outras. O problema é saber onde ele está errado ou certo.


1) Barbell strategy

Barbell significa algo como halteres (barra com um conjunto de pesos em cada extremidade). Em muitas oportunidades podemos usar estratégia análoga: concentrar esforços em dois pontos opostos das possibilidades. Por exemplo, em investimentos, escolher parte extremamente segura (robusta a eventos extremos) e parte de alto risco. Assim, evitamos agrupar todos os nossos recursos na parte do meio, que tem risco baixo mas ainda está sujeita a eventos "cisne negro". Esta estratégia pode ser utilizada também na alimentação, nos exercícios físicos, na nossa lista de leituras, no uso do tempo (trabalho duro e puro ócio; ou pura ação em uma fase e pura reflexão em outra posterior), etc. A vantagem em todos os casos é que teríamos a garantia de um retorno mínimo, e ao mesmo tempo a possibilidade de um retorno elevado.


2) Green lumber fallacy

Um das pessoas com o maior sucesso na negociação de derivativos atrelados à commodity "madeira verde" admitiu, depois de ano de operação, que achava estar negociando madeira pintada de verde. Mas na verdade madeira verde significa madeira recém cortada. Enquanto isso, muitos traders que visitavam plantações, consultavam a previsão do tempo e estudavam a influência na colheita não tinham o mesmo sucesso. Isso significa que ser especialista no conceito do produto não é a mesma coisa que ser especialista em negociá-lo.


3) Opcionalidade

É aquilo que torna algo antifrágil. Quando uma pessoa tem opção de fazer duas coisas, ela está em grande vantagem, pois ao longo do tempo as coisas podem mudar e ela pode exercer uma ou outra opção. Eventualmente uma opção pode passar a ser muito mais vantajosa que outra. Os eventos aleatórios beneficiam quem tem opções. As opções financeiras são precificadas, mas muitas vezes temos opções gratuitas em outros campos, e quem usa esse fato em sua vantagem pode obter grandes benefícios. Muitas pessoas em importantes posições acreditam intuitivamente na linearidade, mas o mundo é não linear, e pequenas variações podem trazer grandes consequências.


4) O frágil, o antifrágil e o robusto

Frágil é aquilo que funciona em certas condições, mas pode quebrar se houver mudança no ambiente. Antifrágil é aquilo que pode eventualmente se beneficiar de mudanças no ambiente, pois tem opcionalidade. Robusto é aquilo que não liga para mudanças no ambiente. (Se uma função é convexa, ou antifrágil, então a média da função de algo será maior que a função da média desse algo. E o contrário ocorre quando a função é convexa, ou frágil.)


5) Turkey problem

Um peru economista poderia analisar três anos de sua vida de engorda, e extrapolar sua série histórica para um futuro semelhante. Afinal ele sempre recebeu comida e nunca foi abatido. Mas esta análise não levaria em conta que existem efeitos raros que não estão disponíveis como informação passada. Qualquer extrapolação falharia.


6) Excesso de informação

Nos dados existe informação e ruído. Quando consultamos dados anuais, digamos que exista metade informação e metade ruído. Mas se temos acesso a dados diários, como acontece em muitas ocasiões, teríamos acesso a pouca informação e muito ruído. E nas cotações da bolsa de valores, com dados horários ou a cada minuto, praticamente tudo é ruído, e ao acompanhar em um prazo tão curto perdemos qualquer noção de informação.


7) Nontransferability of skills

Existe o lúdico, como os jogos de xadrez, em que as regras são bem conhecidas e limitadas. As pessoas com grandes habilidade no xadrez não levam vantagem na vida real, onde as regras são difusas e ilimitadas. O que as pessoas aprendem na sala de aula, com os exemplos prontos, ou os testes em que sempre há uma resposta certa aguardando para ser descoberta, não significam sucesso na vida real, onde os problemas são abertos. O sucesso na sala de aula não é transferível para sucesso no mundo dos negócios (ocorre o efeito loss in translation).


8) Tinkering

Talvez possa ser traduzido como "remendo"; é algo feito gradualmente com base na tentativa e erro. Em vez de alguém deduzir teoricamente as leis que regem a vida, é mais efetivo simplesmente tentar pequenas inovações na prática. Isto fez muitas ciências evoluírem, como a medicina e engenharia. A verdadeira ciência está em pessoas sem treinamento formal aperfeiçoarem gradativamente o que já existe, e não em alguma descoberta bombástica feita na universidade. Os negociadores de opções já conheciam na prática, e com muito mais sofisticação, a fórmula de Black-Scholes que veio a ser publicada muitos anos depois. Mais precisamente, existe o "convex tinkering", que são os remendos com consequências não lineares: um remendo pequeno pode eventualmente desembocar numa melhoria grande.


9) Iatrogenia

É o dano causado pelo excesso de intervenção. Por exemplo, na Medicina, podemos ter a tendência de procurar tratamento quando não seria necessário, e este tratamento poderia trazer mais danos que benefícios. Aconteceria também na alimentação saudável: os ingredientes balanceados ingeridos em horários regulares poderiam fazer mal ao corpo, que se beneficiaria de alguma aleatoriedade em quantidades e horários. Mas este conceito poderia ser aplicado em outras áreas, como por exemplo o excesso de intervenção nos investimentos, quando uma mudança frequente de estratégia causaria mais dano que não fazer nada.


10) Scholars e practitioners

Os filósofos muitas vezes discutem o mundo das formas, das ideias, as ontologias. Enquanto isso, o que interessa de verdade para as pessoas são os riscos e recompensas de cada ação.


11) Epifenômeno

Algo que é causado mas não causa nada. O autor especula que pode ser o caso das universidades: elas são causadas pelo enriquecimento da população (que passa a investir em educação com o objetivo de sistematizar o conhecimento para obter mais riqueza), mas podem não causar nada - não trazem efeitos importantes no enriquecimento da sociedade. (As universidades acham que estão ensinando os pássaros a voar, ao dar-lhes aula de aerodinâmica e biologia.)


12) Cherry-picking

É escolher alguma evidência anedótica favorável para defender uma teoria. Em geral as cerejas não são todas bonitas, mas quem vê apenas as cerejas colhidas, pensa que todas são bonitas. Este método pode ser utilizado para explicar o passado, escolhendo apenas as variáveis que corroboram determinada teoria. Quando mais dados existirem, mais fácil será encontrar dados com alta correlação com o que foi previsto, e mais fácil será encontrar explicações de por que o que aconteceu foi diferente da previsão.


13) Conflation problem

Talvez possa ser traduzido por problema da conjugação. Significa confundir o preço do petróleo com geopolítica, ou confundir uma aposta em que se obteve lucro por uma previsão de qualidade - e não convexidade do payoff e opcionalidade.


14) Less is more in decision making (contrary to the method of putting a series of pros and cons side by side on a computer screen)

Se você tem mais de uma razão para fazer algo (escolher um médico, contratar alguém, casar-se ou viajar para algum lugar), não faça isso. Não significa que uma razão é melhor que duas - apenas que, quando se invoca mais de uma razão, a pessoa está tentando convencer a si mesma a fazer algo. Decisões óbvias (robustas ao erro) não precisam de mais que uma única razão.

domingo, 20 de agosto de 2017

Aposta de Pascal - visão alternativa

Queremos evoluir alguma imperfeição em nosso comportamento automático. Por exemplo, muito nos incomoda um estado agudo de irritabilidade que brota após a provocação de alguém.

Se analisamos a questão pelo ângulo da continuidade da vida após a morte, podemos nos conformar em fazer pequenas correções neste comportamento a cada ocasião, visando atingir um estado de tranquilidade no futuro distante. Afinal, é bem mais comum idosos se mostrarem sábios e impassíveis diante da ansiedade de curto prazo manifestada pelos jovens nos acontecimentos cotidianos.

Mas se pensarmos numa existência finita, durando menos que um século, torna-se urgente nos apressarmos para alcançar a habilidade da paciência. Afinal, uma pequena irritação pode nos fazer perder um dia ou dois de tranquilidade, que são preciosos diante do nosso tempo restante.

Assim, em alguns aspectos parece que vale a pena nos comportarmos de forma oposta à conclusão do post mais antigo sobre a Aposta de Pascal: considerar a vida como passageira nos impulsiona a buscar melhorias sem perdas de tempo.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Como seria a vida fora do trabalho?

Qual seria sua principal atividade se já tivesse um patrimônio suficiente para, apenas com os rendimentos, suprir todas as necessidades básicas de sua família, como alimentação, saúde, moradia e educação?*


  • Continuaria trabalhando, para ter dinheiro para viajar ou frequentar bons restaurantes

  • Dedicaria a vida a trabalhos voluntários, para melhorar a vida de outras pessoas

  • Buscaria imersão em atividades relacionadas à arte

  • Escolheria descanso e ócio

  • Focaria na esfera espiritual

  • Estudaria a fundo um ou mais temas de interesse

  • Preferiria diversões de baixo custo, como TV, internet, passear pela cidade, atividades físicas




* isso pode ser possível, por exemplo, se você tiver um patrimônio livre de 400 vezes seus gastos mensais

segunda-feira, 3 de abril de 2017

O sentido da vida segundo Tim Ferris

Fonte: Trabalhe 4 horas por semana, p. 322

Essas dúvidas [sobre a decisão de sair da engrenagem] invadem a mente quando não há nada a ocupá-la. Pense em uma hora em que você se sinta 100% vivo e concentrado. É provável que seja uma hora em que você tenha estado completamente focado em algo externo: algo ou alguém. Esporte e sexo são dois grandes exemplos. Faltando um foco externo, a mente volta-se para si mesma e cria problemas para serem resolvidos, mesmo que os problemas sejam indefinidos ou desimportantes. Se você encontrar um foco, um objetivo ambicioso que pareça impossível e force você a crescer (experiência máxima da hierarquia das necessidades de Maslow), essas dúvidas desaparecem.

No processo de procurar um novo foco, é praticamente inevitável que as “grandes” questões apareçam. Há uma pressão onipresente dos pseudofilósofos para deixar de lado o impertinente e responder ao eterno. Dois exemplos populares são “qual o sentido da vida?” e “qual é o ponto disso tudo?”.

Há muitas outras, das mais introspectivas às ontológicas, mas tenho uma resposta para praticamente todas elas – simplesmente não respondê-las.

Não sou niilista. Na verdade, passei mais de uma década investigando a mente e o conceito de sentido, uma busca que me levou dos laboratórios de neurociência das melhores universidades a instituições religiosas mundo afora. A conclusão, depois de tudo, é surpreendente.

Estou 100% convicto de que a maior parte das grandes questões que nos sentimos compelidos a enfrentar – legadas através de séculos de pensar excessivamente e traduções ruins – usam termos tão indefinidos que tentar respondê-las é uma completa perda de tempo. Isto não é deprimente. É libertador.

Pense na pergunta das perguntas: Qual é o sentido da vida?

Se pressionado, tenho apenas uma resposta: é o estado característico ou a condição de um organismo vivo. “Mas isso é apenas uma definição”, retrucará quem perguntou, “não é isso que eu quero dizer.” O que você quer dizer, então? Até que a pergunta esteja clara – cada termo nela bem definido -, não há por que respondê-la. A pergunta sobre o “sentido” da “vida” é irrespondível sem uma elaboração posterior.

Antes de gastar tempo em uma pergunta estressante, grande, ou qualquer outra coisa, garanta que a resposta para as duas perguntas a seguir seja “sim”:

1. Defini um único significado para cada termo nesta pergunta?
2. Uma resposta para esta pergunta pode ser posta em prática para melhorar as coisas?

“Qual o sentido da vida?” falha em ambas as perguntas. Questões sobre coisas além de sua esfera de influência – como “E se o trem atrasar amanhã?” – falham na segunda e, por isso, merecem ser ignoradas. Se você não puder definir ou não puder agir, esqueça. Se você aprender apenas isso com este livro, você estará entre o 1% mais realizador no mundo e manterá a maior parte do estresse filosófico para fora de sua vida.

Afiar sua caixa mental de ferramentas práticas e lógicas não significa se tornar um ateu ou agnóstico. É não ser burro e não ser superficial. É ser inteligente e direcionar os seus esforços para onde possam fazer a diferença para você e para os outros.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Conselhos ao estudante de Física

Estas dicas se destinam para quem está cursando bacharelado em Física e possui habilidades normais. São conselhos que eu acho que teriam sido úteis para mim.

Embora as notas de aula de uma disciplina, que geralmente consistem em um caderno (ou fotocópia de um) que espelha o quadro-negro, contenham aquilo que o professor mais dá valor, com o viés que deverá ser cobrado em prova, para a carreira do estudante é muito importante ler os livros-texto. Para eleger um livro, um bom caminho é optar por aquele com mais críticas positivas na Amazon americana (nota boa e relativamente grande quantidade de avaliações). Os livros bem avaliados costumam ser os mais didáticos e inspiradores. Com eles, será possível ter uma fonte de referência que vai durar por mais tempo que o caderno, e além disso há a tendência de ser um material mais completo, já que o professor muitas vezes seleciona apenas alguns tópicos.

É prudente também evitar desviar muito os estudos para outra área de interesse. Quem pretende se engajar na pesquisa acadêmica será prejudicado se estiver frequentando simultaneamente outro curso de graduação, ou então se dedicar tempo demais estudando temas como economia, bolsa de valores, filosofia, etc. Cada um destes assuntos é bastante profundo, de forma que em uma vida não é possível abarcar tudo - isso para quem não tem a intenção de ser um generalista (que sabe de tudo um pouco), mas sim pretende ser um especialista (saber muito, mas de um tema específico). Uma site interessante que trata da dicotomia quantidade/qualidade é do Cal Newport (talvez os livros dele sejam mais completos - 1, 2).

Os cientistas de ponta, que realmente fazem progresso, costumam estudar várias horas por dia. Portanto, quem se contenta apenas com as aulas e o esforço suficiente para uma boa nota na prova está sendo ultrapassado por diversos alunos ao redor do mundo que, durante a graduação, procuram se aprofundar mais. Por exemplo, que tal ler detidamente todo o Feynman Lectures on Physics? É o mesmo assunto que já é ensinado, mas provavelmente visto de outra forma. Demanda tempo e calma na leitura, mas certamente irá solidificar os conceitos. Na verdade, o estudo nunca será o bastante, pois a questão não é o quão completas serão as habilidades de alguém ao concluir sua graduação, mas sim o quão incompletas. Por isso, dentro do saudável, não existe limite máximo para o quanto se deveria estudar os fundamentos.

Para produzir motivação e expandir os horizontes, são proveitosos os textos de divulgação científica. Locais como Arstechica trazem matérias com o estado da arte de algumas áreas da Física, explicando os recentes artigos científicos de uma maneira acessível. Além disso, há muitos livros que são uma ótima fonte de estímulos ao mostrar o desenvolvimento de cientistas, como os excelentes O senhor está brincando, sr. Feynman! e A parte e o todo. Alguns livros interessantes de divulgação científica: O andar do bêbado, O universo elegante, A realidade não é o que parece.

Para as questões que alguém possa ter vergonha de perguntar, por parecerem básicas demais (como por exemplo - é possível que o espaço-tempo se expanda mais rápido que a luz?), existem os fóruns na internet com respostas muito didáticas. Por exemplo, Stack Exchange. Nestes lugares encontra-se muita coisa inútil, mas em geral as informações importantes recebem muitas avaliações positivas, e acabam se destacando. Existem diversos canais no Youtube que mostram muita coisa em pouco tempo, como o Veritasium.

Da leitura dos parágrafos anteriores, percebe-se como é importante conseguir ler textos em inglês. Quem pretende ser um pesquisador em Física em algum momento terá que ser fluente na leitura. E conseguir a fluência é um processo trabalhoso, que demanda muitas de leituras mal compreendidas, até que se consiga entender um texto técnico rapidamente. Por isso, quanto antes se começar, mais cedo serão colhidos os benefícios, já que a escalada do aprendizado terá que ser encarada em algum momento.

Física experimental vs. física teórica - é comum já na graduação ter predileção por uma das áreas. No primeiro caso, diminui-se a atenção para as deduções algébricas e demonstrações. No segundo, dá-se menos valor para as técnicas de análise de erros, ou para as soluções numéricas. Entretanto, é preciso conhecer profundamente todas estas áreas (nos limites da graduação), pois pode-se descobrir alguma vocação inesperada. Ou ainda, conhecimento de uma delas pode influenciar na solução de problema de outra. Afinal, num acelerador de partículas não há físicos experimentais programando computadores, analisando dados estatísticos, calculando analiticamente se é possível que determinado equipamento cause determinado efeitos nos resultados? E um físico teórico não precisa enumerar os efeitos verificáveis de uma determinada teoria, dentro dos limites experimentais disponíveis?

Mesmo quem futuramente resolver mudar de área e tentar uma eventual carreira no mercado financeiro (ver Early Retirement Extreme, ou algum blog sobre "Quants"), em geral só terá as condições necessárias para o sucesso se estiver disposto a uma imersão total nas matérias estudadas na graduação, pois na prática o que importa é saber enfrentar problemas em aberto, ter a visão do todo, conseguir relacionar diferentes áreas do conhecimento, construir a persistência para ler artigos científicos, etc.



Why did I enjoy it? I used to play with it. I used to do whatever I felt like doing - it didn't have to do with whether it was important for the development of nuclear physics, but whether it was interesting and amusing for me to play with. When I was in high school, I'd see water running out of a faucet growing narrower, and wonder if I could figure out what determines that curve. I found it was rather easy to do. I didn't have to do it; it wasn't important for the future of science; somebody else had already done it. That didn't make any difference. I'd invent things and play with things for my own entertainment. (...) I still remember going to Hans Bethe and saying, "Hey, Hans! I noticed something interesting. Here the plate goes around so, and the reason it's two to one is ...'' and I showed him the accelerations. He says, "Feynman, that's pretty interesting, but what's the importance of it? Why are you doing it?'' "Hah!'' I say. "There's no importance whatsoever. I'm just doing it for the fun of it." - Richard Feynman

I wanted the reward and not the struggle. I wanted the result and not the process. I was in love with not the fight but only the victory. And life doesn't work that way. - Mark Manson

There are two domains, the ludic, which is set up like a game, with its rules supplied in advance in an explicit way, and the ecological, where we don't know the rules and cannot isolate variables, as in real life. Seeing the nontransferability of skills from one domain to the other led me to skepticism in general about whathever skills are acquired in a classroom, anything in a non-ecological way, as compared to street fights and real-life situations. (...) We accept the domain-specificity of games [like chess], the fact that they do not really train you for life, that there are severe losses in translation. But we find it hard to apply this lesson to technical skills acquired in schools, that is, to accept the crucial fact that what is picked up in the classroom stays largely in the classroom. Worse even, the classroom can bring some detectable harm. - Nassim Taleb


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Compatibilismo (Compatibilism)

Na novilíngua de Orwell existem palavras como "negrobranco"; que tal adicionar determinismolivrearbítrio?

In Orwell's newspeak there are words like "blackwhite"; how about adding determinismfreewill?

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Promessas para 2017

Ao elaborarmos nossa lista, incentivados por uma gama de estímulos que surgem no final do ano, surge a tendência de sempre incluir novos itens, para chegarmos a ser a pessoa ideal daqui a doze meses.

Se queremos ser mais sociáveis a partir de agora, por que não planejar também a leitura de um livro por mês? E que tal exercícios às segundas, quartas e sextas? E quanto a uma dieta de baixo carboidrato?

Mas mudar de um estado de relativa inércia para uma vida regrada por tantos desejos é abrupto demais para nossa capacidade.

Por isso, a sugestão é: resistir à tentação de querer ser muito melhor em 2017, e ficar apenas com uma característica, mesmo que isso signifique abrir mão da barriga tanquinho ou do estudo da obra de um filósofo.

Que tal escolhermos ser mais calmos? Mais tranquilos, menos estressados?

Não é uma decisão sem algumas implicações profundas.

Afinal teremos que evitar irritação no trânsito, cuidar para não pensar em trabalho quando estivermos em outra atividade, encontrar métodos para não ficar demais pensando em situações desagradáveis, reduzir expectativas para reduzir frustrações.

A lista de benefícios também é generosa: dormir melhor, um eventual melhor funcionamento do sistema digestivo, evitar palpitações, conseguir com que as pessoas queridas se sintam mais bem tratadas, e quem sabe até conseguir a força de vontade para cortar o açúcar.